review. // ‘ALPHA’ – CL

Os últimos anos da carreira de CL foram uma grande montanha russa com muitas mudanças. Sendo a principal delas a saída dela de sua antiga empresa, YG Entertainment, que hoje é responsável por grupos como BLACKPINK, IKON, WINNER e AKMU e descobriu artistas como BIGBANG, PSY e o mundialmente famoso, 2NE1, onde CL debutou em 2009 com ‘Fire‘ ao lado de Dara, Park Bom e Minzy.

Os 10 anos nos quais CL permaneceu na YG foram completamente dedicados ao grupo e sua carreira como solista em ascensão de nível mundial, porém logo após o anuncio do fim do grupo, a carreira de CL que tinha muito potencial, foi deixada de lado, e agora que a YG tinha um novo girlgroup fazendo sucesso mundial eles não precisariam mais dela, né? Sim, porém encheram ela de promessas e ela assinou novamente um contrato de mais 3 anos com eles. Nesses 3 anos, CL fez uma participação em um filme, foi jurada em um reality show, cantou no encerramento das Olimpíadas 2018 (onde ela mesma teve que preparar toda a performance, inclusive fazer as roupas a mão sem ajuda da empresa) e recebeu uma promessa de ter um programa de auditório, que obviamente não aconteceu… e só.

Em 2019, CL se livrou da YG e de forma completamente independente lançou o EP visual ‘In The Name of Love‘ com músicas criadas ainda quando estava na antiga empresa, porém CL não chegou a promover, nem a aparecer nos MVs lançados. Foi mais um presente para os fãs do que algo realmente para ser levado como um comeback oficial. Após isso CL anunciou que agora era 100% independente e lançou a Very Cherry (o nome de CL é Chaerin, e a pronuncia com a palavra Cherry é bem parecida… enfim, genial), sua própria empresa, liberou uma intro e em seguinda os dois primeiros singles do que viriam a ser seu primeiro álbum, o já anunciado na época, “ALPHA“. Porém nesse intervalo CL perdeu sua mãe subitamente e anunciou que o álbum seria adiado para 2021 pois “havia muitas coisas que precisava experimentar para aprender”, disse ela para a revista W Korea. Meses depois de muitas dúvidas ela finalmente lançou o seu tão esperado primeiro full album da carreira.

O álbum inicia com ‘SPICY‘, que como o nome diz, é apimentada. Produzida por Holly e Baauer (responsável pelo icônico viral, Harlem Shake) traz a CL que conhecemos em ‘The Baddest Female‘ e ‘Hello Bitches‘, onde a mesma confirmou que queria que a música fosse uma espécie de continuação desses singles lançados anos atrás. A música inicia com o ator John Malkovich falando “Com licença, você tem aquele molho apimentado, feito na Coréia?”, em seguida a música explode com os versos de CL totalmente auto confiante, e se nos singles anteriores ela cantava sobre mulheres fortes e independentes, nessa ela fala sobre sua origem coreana, “de onde vimos, os coreanos estão ficando cada vez maiores, deixando tudo picante”.

Em ‘Lover Like Me‘ temos uma CL mais focada nos vocais do que no rap. Misturando sintetizadores e uma base trap na música, a impressão que se tem é que essa não é uma música tão atual quanto ‘SPICY‘, porém é uma excelente música. O balanço perfeito entre uma CL mais “agressiva” e auto confiante e uma outra mais sensível. A seguir temos uma canção mais hip hop e aparentemente mais despretensiosa. Sinceramente não gostei tanto de ‘Chuck‘ porém entendo o papel dela no álbum, é uma faixa mais “divertidinha” e ok.

Xai‘ tem vocais mais sexys e uma forte influencia do tropical house, similiar a faixas como One and Only e a não lançada ‘All In‘. Em seguida temos ‘Let It‘ que segundo a própria CL, era para ser gravada com o 2NE1 inteiro, porém Minzy não conseguiu conciliar sua agenda e assim resolveu lançar ela solo mesmo. Mas não há muito para falar dessa música, é uma música do 2NE1 do inicio ao fim. Eu consigo ouvir facilmente os vocais da Bom e a Dara no pre-refrão, essa música seria um comeback perfeito para elas, além da mensagem da música toda nessa vibe de “deixar para lá” e mandar um f*da-se para a YG.

Tie a Cherry‘ é uma das minhas favoritas do álbum, mais uma vez misturando vocais com rap e para mim é a mais perfeita demonstração de como ela é boa fazendo as duas coisas… três coisas na verdade, considerando que ela é a compositora da música que tem uma letra bastante sagaz. Inspirada no Travis Scott e trazendo bastante auto tune, comum no hip hop americano atual, ‘Paradise‘ é uma das que menos gostei no ‘ALPHA‘. Quem gosta desse estilo de música deve achar uma boa música, porém achei chata e só. Em ‘My Way‘, temos mais uma música que possui essa personalidade mais forte da CL e focada totalmente no rap, e que também pede uma coreografia bem impactante (tipo como Jessi fez em seu single ‘Who Dat B‘).

Siren‘ é uma faixa totalmente em inglês e focada nos vocais de CL, uma balada perfeita cheia de elementos como violinos e pianos e bastante emocional. Um dos pontos altos do álbum sem dúvidas. Finalizando temos os singles que foram lançados em 2020, ‘HWA‘ e ‘5 STAR‘. Assim como os dois primeiros singles lançados nesse ano, cada um traz dois pontos diferentes da CL. Em ‘HWA‘ temos a CL bad girl e descolada/fashionista, cantando a música de ‘Batatinha Frita 1, 2, 3‘ que agora é viral devido ao sucesso de Squid Game e já em ‘5 STAR‘ temos uma CL apaixonada e sentimental, com uma das melhores músicas e MVs da carreira, uma escolha perfeita para finalizar o álbum.

No K-pop quando algumas solistas saem de suas empresas de origem e tentam criar coisas mais “pessoais”, é comum vermos algumas lançando coisas de qualidade questionável em comparação a época da sua empresa antiga, afinal não é mais uma grande equipe e uma grande empresa que estão por trás da artista e sim a própria pessoa, a responsabilidade passa ser somente dela. Porém no ‘ALPHA‘, CL conseguiu provar que não precisa e nunca precisou da YG e isso foi o que mais me fez ficar apaixonado pela era inteira. Não pela qualidade dele, que é admirável e é sem dúvida um dos melhores que ouvi no K-pop em 2021, mas é pelo significado dele. Ela entregou mais de 5 MVs, performou e divulgou quase metade das músicas do álbum e ainda lançou uma versão física muito linda, tudo isso sozinha.

Um álbum feito depois de muitos duvidarem dela, tentarem boicota-la e ainda no meio disso tudo sofrer uma grande pressão da mídia por conta do seu peso e viver o luto da perda de uma mãe. Não consigo imaginar o quão tenha sido difícil para ela ter vivido isso tudo, mas ouvindo as músicas e vendo ela nos palcos de novo consigo sentir o prazer dela de estar de volta e poder fazer o que sempre quis e não existe algo mais mágico e libertador. Esse álbum é incrível por conta disso, ela soube conectar o artista ao ouvinte através da sua obra.

Nota: 4,7/5.0

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